O diabetes mellitus (DM) é uma condição metabólica caracterizada pela presença de hiperglicemia. O diagnóstico adequado é fundamental para permitir o acompanhamento e a definição da conduta clínica de forma oportuna.
Um dos desafios é que as alterações da glicemia podem permanecer assintomáticas. Por isso, o diagnóstico não depende apenas da presença de sinais e sintomas: a avaliação laboratorial tem papel fundamental tanto na investigação de pessoas sintomáticas quanto no rastreamento de indivíduos com maior risco de desenvolver diabetes.
As recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) contemplam diferentes métodos para identificação da hiperglicemia e incorporam uma atualização importante para a rotina laboratorial: a utilização da glicemia 1 hora após sobrecarga oral de 75 g de glicose (TTGO-1h).
Entenda os principais exames, critérios diagnósticos e cuidados envolvidos nessa investigação.
1. Quais exames podem ser utilizados para o diagnóstico do diabetes?
De acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, a identificação da hiperglicemia pode ser realizada por meio de:
- glicemia plasmática de jejum;
- hemoglobina glicada (HbA1c);
- Teste de Tolerância à Glicose por Via Oral (TTGO);
- glicemia plasmática ao acaso, na presença de sintomas típicos de hiperglicemia ou crise hiperglicêmica.
Os critérios laboratoriais apresentados pela SBD para indivíduos não gestantes são:
| Exame | Normal | Pré-diabetes | Diabetes |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum | < 100 mg/dL | 100–125 mg/dL | ≥ 126 mg/dL |
| TTGO – 1 hora | < 155 mg/dL | 155–208 mg/dL | ≥ 209 mg/dL |
| TTGO – 2 horas | < 140 mg/dL | 140–199 mg/dL | ≥ 200 mg/dL |
| HbA1c | < 5,7% | 5,7–6,4% | ≥ 6,5% |
Na presença de sintomas típicos de hiperglicemia, glicemia plasmática ao acaso ≥ 200 mg/dL também constitui critério diagnóstico.
A interpretação dos resultados deve considerar os critérios de confirmação estabelecidos pela diretriz e a situação clínica do paciente.
2. Quais sintomas podem estar relacionados ao diabetes?
A hiperglicemia pode estar associada a manifestações como:
- aumento da frequência e do volume urinário (poliúria);
- sede excessiva (polidipsia);
- aumento da fome (polifagia);
- perda de peso inexplicada;
- desidratação.
Outras manifestações podem ocorrer conforme o quadro clínico.
Entretanto, um ponto importante para profissionais e pacientes é que a ausência de sintomas não exclui a possibilidade de diabetes. Muitas pessoas podem apresentar alterações metabólicas antes do aparecimento de manifestações clínicas evidentes.
É justamente por isso que o rastreamento adequado das populações de risco é tão importante.
3. Quem deve ser rastreado para diabetes tipo 2?
A SBD recomenda o rastreamento de diabetes mellitus tipo 2 para todos os indivíduos com idade igual ou superior a 35 anos.
O rastreamento também é recomendado para adultos com sobrepeso ou obesidade que apresentem pelo menos um fator de risco adicional para DM2 e/ou apresentem escore FINDRISC alto ou muito alto.
Quando os exames iniciais estão normais, a periodicidade de repetição da investigação pode variar conforme os fatores de risco apresentados pelo indivíduo.
O TTGO pode complementar essa investigação em situações específicas, especialmente quando existe maior risco metabólico ou necessidade de identificar alterações que não foram demonstradas pelos exames iniciais.
4. O que é o Teste de Tolerância à Glicose por Via Oral?
O Teste de Tolerância à Glicose por Via Oral (TTGO) avalia a resposta do organismo após uma sobrecarga padronizada de glicose.
Para o diagnóstico de diabetes em adultos, o exame utiliza uma carga oral equivalente a 75 g de glicose anidra diluída em água, seguida da determinação da glicemia no período estabelecido pelo protocolo.
Enquanto a glicemia de jejum avalia a concentração de glicose em condição basal, o TTGO permite observar a resposta glicêmica após um desafio metabólico com glicose.
Isso pode revelar alterações que não necessariamente seriam identificadas pela glicemia de jejum.
A SBD ressalta que o TTGO apresenta maior sensibilidade, embora seja um exame que demande mais tempo, maior preparação e cuidados específicos para sua execução.
5. O que mudou? A importância do TTGO de 1 hora
Uma atualização relevante das recomendações atuais é a valorização do TTGO-1h.
Quando houver indicação para realização do TTGO para diagnóstico de DM2 e detecção de pré-diabetes, a SBD recomenda preferencialmente a determinação da glicemia 1 hora após a sobrecarga de glicose, considerando esse protocolo mais prático e com vantagens na identificação de alterações do metabolismo glicêmico.
Os pontos de corte são:
- TTGO-1h < 155 mg/dL: normal
- TTGO-1h entre 155 e 208 mg/dL: pré-diabetes
- TTGO-1h ≥ 209 mg/dL: diabetes mellitus
O tradicional TTGO de 2 horas permanece como alternativa diagnóstica, utilizando:
- TTGO-2h < 140 mg/dL: normal
- TTGO-2h entre 140 e 199 mg/dL: pré-diabetes
- TTGO-2h ≥ 200 mg/dL: diabetes mellitus.
Essa mudança acompanha evidências que demonstraram a capacidade do TTGO-1h de identificar alterações do metabolismo glicêmico e indivíduos com maior risco de progressão para DM2.
A International Diabetes Federation (IDF) também passou a recomendar a glicemia de 1 hora após sobrecarga oral de 75 g para identificação de hiperglicemia intermediária e diabetes tipo 2.
6. O preparo do paciente é fundamental para o TTGO
O resultado do TTGO não depende apenas da determinação laboratorial da glicose. A fase pré-analítica é especialmente importante.
De acordo com a SBD, nos três dias anteriores ao teste deve haver alimentação com ingestão de pelo menos 150 g de carboidratos por dia.
A SBD considera como jejum a cessação da ingestão calórica por 8 a 12 horas.
O laboratório deve fornecer orientações claras ao paciente e seguir um procedimento padronizado para realização do exame.
Condições clínicas e outros fatores capazes de interferir na glicemia também devem ser considerados na interpretação do resultado.
Por isso, padronizar a fase pré-analítica é tão importante quanto padronizar a quantidade de glicose administrada.
7. A sobrecarga de glicose precisa ser padronizada
Para que os pontos de corte estabelecidos pelas diretrizes possam ser corretamente aplicados, o TTGO precisa ser realizado utilizando a sobrecarga de glicose prevista pelo protocolo.
Para adultos, a SBD estabelece uma carga oral equivalente a 75 g de glicose anidra diluída em água.
Essa padronização é fundamental porque a interpretação do resultado está diretamente relacionada à quantidade de glicose administrada e ao intervalo entre a ingestão e a coleta da amostra.
O laboratório deve, portanto, possuir procedimentos definidos para todas as etapas envolvidas no exame, desde a orientação e o preparo do paciente até a administração da sobrecarga, controle do tempo, coleta, processamento e análise das amostras.
8. Gluc Up: sobrecarga de glicose para realização do TTGO
O Gluc Up Newprov é destinado à realização do Teste de Tolerância à Glicose por Via Oral (TTGO). A própria Instrução de Uso relaciona sua utilização à investigação da hiperglicemia por meio desse teste.
A linha possui apresentações líquidas e em pó, possibilitando sua utilização conforme o protocolo aplicável e a apresentação selecionada pelo laboratório.
Entre as apresentações descritas na Instrução de Uso estão produtos com 50 g, 75 g e 100 g de glicose. Para adultos, o TTGO utilizado no diagnóstico de diabetes emprega sobrecarga equivalente a 75 g de glicose anidra, conforme as diretrizes vigentes.
Para crianças, a quantidade administrada deve considerar o peso corporal e seguir a orientação prevista na Instrução de Uso e no protocolo aplicável. A IU do Gluc Up estabelece dose de 1,75 g/kg, até o máximo de 75 g.
Para gestantes, a dose e o protocolo devem corresponder à investigação realizada e às diretrizes específicas para diabetes durante a gestação.
A utilização de uma preparação destinada ao TTGO auxilia na padronização da sobrecarga oral de glicose, uma etapa essencial para a execução adequada do exame.
O laboratório deve consultar sempre a Instrução de Uso vigente do Gluc Up para verificar apresentação, preparo, administração, armazenamento, cuidados e limitações aplicáveis ao produto.
9. Gluc Up líquido ou em pó: quais os cuidados?
As diferentes apresentações possuem orientações específicas de utilização e armazenamento.
Segundo a Instrução de Uso vigente:
- as apresentações líquidas devem ser conservadas entre 2 e 30 °C;
- as apresentações em pó devem ser conservadas entre 10 e 30 °C.
Nas apresentações líquidas, o produto deve ser administrado imediatamente após a abertura.
Nas apresentações em pó, o preparado deve ser administrado imediatamente após o preparo, sem armazenamento prévio ou de sobras da solução preparada.
Antes da utilização, também é importante verificar a integridade da embalagem e o prazo de validade.
A Instrução de Uso vigente deve sempre ser consultada, pois nela estão descritos os procedimentos específicos para cada apresentação.
10. Diabetes gestacional: os critérios são diferentes
O diagnóstico de diabetes mellitus gestacional (DMG) possui critérios próprios e não deve ser confundido com os pontos de corte utilizados para diagnóstico de diabetes na população geral.
Durante a gestação, a investigação deve seguir as recomendações específicas para essa população.
Entre 24 e 28 semanas de gestação, quando indicado de acordo com o protocolo vigente, é realizado o TTGO com 75 g de glicose, com determinações da glicemia em jejum, após 1 hora e após 2 horas.
Os pontos de corte utilizados para diagnóstico de DMG são:
- Jejum: ≥ 92 mg/dL
- 1 hora: ≥ 180 mg/dL
- 2 horas: ≥ 153 mg/dL
A presença de pelo menos um valor alterado é suficiente para o diagnóstico de DMG, considerando os limites e critérios específicos estabelecidos pelas diretrizes.
Além disso, valores que preencham critérios para diabetes manifesto devem ser avaliados de acordo com os critérios específicos para diabetes diagnosticado durante a gestação, não sendo simplesmente classificados como diabetes gestacional.
Por isso, a interpretação do TTGO na gestação deve sempre seguir as recomendações específicas para essa população.
11. Atenção à fase pré-analítica da amostra
Outro ponto crítico do TTGO está entre a coleta da amostra e a determinação da glicose.
Após a coleta, processos celulares podem continuar consumindo glicose. Se a amostra não for adequadamente processada, pode ocorrer redução da concentração medida e introdução de um erro pré-analítico.
A própria Instrução de Uso do Gluc Up chama atenção para a necessidade de estabilização das amostras destinadas à determinação da glicose.
Por isso, o laboratório deve possuir procedimentos definidos e validados para coleta, processamento, conservação e análise das amostras, considerando o tipo de tubo, método analítico e recomendações laboratoriais aplicáveis.
Esse cuidado é particularmente importante porque os resultados serão comparados a pontos de corte definidos pelas diretrizes.
12. Nenhum exame deve ser interpretado fora do contexto clínico
Glicemia de jejum, HbA1c e TTGO avaliam aspectos diferentes do metabolismo glicêmico e apresentam vantagens e limitações.
A própria SBD destaca que os métodos diagnósticos possuem limitações metodológicas. A glicemia de jejum exige jejum e pode sofrer interferências decorrentes de condições agudas; o TTGO apresenta maior sensibilidade, porém demanda maior tempo e preparação; e a HbA1c possui particularidades relacionadas ao método e às condições capazes de interferir no processo de glicação.
Portanto, o resultado laboratorial deve ser interpretado considerando os critérios diagnósticos vigentes e o contexto clínico do paciente.
Para lembrar na rotina laboratorial
- O diagnóstico do diabetes é baseado na identificação de hiperglicemia.
- Glicemia de jejum, HbA1c e TTGO são métodos utilizados na investigação diagnóstica.
- A SBD recomenda o TTGO de 1 hora preferencialmente quando houver indicação para realização de TTGO para investigação de DM2 e pré-diabetes.
- No TTGO-1h, valores entre 155 e 208 mg/dL correspondem a pré-diabetes e ≥209 mg/dL constituem critério para diabetes.
- O TTGO-2h permanece como alternativa diagnóstica.
- Para adultos, o TTGO utiliza uma sobrecarga equivalente a 75 g de glicose anidra.
- O preparo do paciente, a quantidade de glicose administrada, o controle do tempo e o processamento adequado da amostra são fundamentais para a confiabilidade do exame.
- Na gestação, os critérios diagnósticos são específicos.
- A Instrução de Uso do produto utilizado para a sobrecarga deve sempre ser consultada.
Diagnóstico confiável começa com um processo bem padronizado
O diagnóstico do diabetes evolui à medida que novas evidências permitem identificar alterações do metabolismo da glicose de forma mais precoce.
A incorporação do TTGO de 1 hora nas recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes representa uma atualização relevante para profissionais de saúde e laboratórios, especialmente na investigação do diabetes tipo 2 e do pré-diabetes.
Ao mesmo tempo, a confiabilidade do resultado depende de toda a cadeia do exame: indicação adequada, orientação e preparo do paciente, sobrecarga padronizada de glicose, controle do tempo, coleta e processamento das amostras, qualidade da determinação laboratorial e interpretação de acordo com os critérios vigentes.
O Gluc Up Newprov é destinado à realização do Teste de Tolerância à Glicose por Via Oral e possui diferentes apresentações para atender às necessidades da rotina laboratorial.
Consulte sempre a Instrução de Uso vigente do Gluc Up e as diretrizes clínicas adotadas pelo laboratório.
Referências
- Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Diagnóstico de diabetes mellitus. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes.
- International Diabetes Federation (IDF). IDF Position Statement on the 1-hour post-load plasma glucose for the diagnosis of intermediate hyperglycaemia and type 2 diabetes. 2024.
- American Diabetes Association Professional Practice Committee. Diagnosis and Classification of Diabetes: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care. 2026.
- Newprov Produtos para Laboratório Ltda. Gluc Up – Instrução de Uso vigente.
Este conteúdo é destinado a profissionais da saúde e possui caráter técnico-informativo. O diagnóstico e a definição da conduta clínica devem considerar as diretrizes vigentes, o contexto clínico e a avaliação do profissional responsável.
Dúvidas ou orientações técnicas? Entre em contato com o SAC Newprov: [email protected]
Newprov – Por respeito à vida.
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