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Caso Clínico: 12 Mes/Ano: Março/2002

QUADRO CLÍNICO:

Uma criança com 7 anos de idade foi levada pela mãe ao posto de saúde com uma história de febre, vômitos por uma semana e convulsões por 3 dias. Ao exame físico a criança apresentou uma febre de 38,5°C, contínuas convulsões e pupilas reativas. Na seqüência houve perda progressiva da consciência até que a criança entrou em coma. Não foram encontradas alterações significativas no sistema cardiovascular e respiratório, e nem no exame abdominal. Foi realizada uma tomografia computadorizada que revelou a presença de um achatamento moderado das cisternas basais e uma coleção fina, hipodensa e bilateral nas convexidades frontais, sugerindo a formação de um higroma ou efusão subdural.

Questionada sobre os hábitos da criança, a mãe revelou que nos dias quentes o menino costumava brincar em poças d'água em uma região de cavas de extração de areia nas proximidades de sua residência, e que nenhum fato novo era de seu conhecimento.

Foi realizado um hemograma, uma dosagem de eletrólitos sangüíneos e uma coleta de líquido cefalorraquidiano (LCR) para exames bioquímicos e microbiológicos.

Após 2 dias de internamento a criança evoluiu a óbito. Foi autorizada pela família uma necrópsia, que revelou a presença de trofozoítos no cérebro, rodeados por zonas hemorrágicas.(figura 2)

A criança apresentou uma concentração de hemoglobina de 10,2 g/dl com uma contagem de leucócitos de 7.300 / l e uma contagem de plaquetas normais.

Creatinina: 1,9 mg/dL
Dosagens bioquimicas
Análise do LCR:

Sódio...........................................133,0mmol/L
Potássio......................................... 4,4mmol/L
Cloro.............................................95,0mmol/L
Bicarbonato................................. 18,6mmol/L
Fósforo........................................... 4,7mmol/L
Uréia............................................... 14,0mg/dL
Cálcio............................................. 9,2mg/dL
Glicose........................................... 120,0mg/dL

Aspecto: turvo e hemorrágico.
Glicose.................................10mg/dL
Proteínas.............................361mg/dL
Células............................... 560/mm³, incluindo numerosos eritrócitos.
Coloração de Gram: leucócitos polimorfonucleares +++ -> bactérias não visualizadas.

Exame a fresco: presença de trofozoítos móveis sugestivos de amebas.(figura 1)
Cultura: sem desenvolvimento de bactérias e fungos.

OBS.: Caso baseado em nota publicada no Journal of Clinical Microbiology, de janeiro de 2002.


trofozoítos no LCR, visualizados em microscópio
de campo escuro com aumento de 1.000X.
trofozoítos rodeados de eritrócitos no cérebro,
visualizados com aumento de 400X, coloração de hematoxilina-eosina..


Com base nos dados clínicos e laboratoriais, propomos as seguintes questões para discussão do caso:
-> 1. Baseado nos dados clínicos e laboratoriais, qual o provável diagnóstico desta criança?
-> 2. Qual o dado laboratorial mais importante para o diagnóstico diferencial desta infecção?
-> 3. Qual o provável microrganismo envolvido?
-> 4. Como este microrganismo causa a infecção?
-> 5. Onde pode ser encontrado na natureza?
-> 6. Quais as condições ideais para a sua proliferação?
-> 7. Como pode ser feito o cultivo do microrganismo, e quando é indicado?
-> 8. Quais os cuidados necessários para o tratamento da amostra clínica nos casos suspeitos da mesma etiologia?
-> 9. Qual o tratamento indicado para este tipo de infecção?
-> 10. Como as dosagens bioquímicas do LCR podem ajudar no diagnóstico das meningites?
-> 11. Para este caso clínico que resultado se espera para o eritrograma?
-> 12. Para este caso clínico que resultado se espera para o leucograma?

O hemograma por si só não identifica e nem localiza um processo infeccioso. A atitude em situações de infecção é o de se fazer hemogramas de controle para se poder acompanhar a evolução da produção e consumo celular.

Referências Bibliográficas: